O endividamento das famílias de Fortaleza recuou para 69,1% em junho de 2026, uma redução de 3,3 pontos percentuais em relação a maio (72,4%) e abaixo do registrado no mesmo período do ano passado (80,0%), segundo a Pesquisa de Endividamento do Consumidor da Fecomércio Ceará, realizada pelo IPDC. O principal destaque é a melhora nos indicadores de qualidade do crédito: o percentual de consumidores com contas em atraso caiu para 17,3%, o melhor desempenho registrado desde a pandemia de Covid-19. A inadimplência potencial, que mede a proporção de consumidores que poderão ter dificuldades para quitar compromissos, recuou para 8,1%, o melhor resultado desde 2022. O comprometimento médio da renda com dívidas caiu de 42,5% em maio para 40,7% em junho.

O perfil do consumidor endividado é predominantemente feminino (72%), com maior concentração entre 25 e 34 anos (74%) e famílias com renda acima de sete salários mínimos (78,6%). O valor médio do endividamento é de R$ 1.899, com prazo médio de oito meses para quitação. O cartão de crédito é o principal instrumento citado por 85,2% dos endividados. Os gastos correntes lideram as causas: compra de alimentos a prazo (58,1%), vestuário (27,8%), eletrodomésticos (27,4%) e despesas com saúde (25,7%).

Entre os fatores apontados para o desequilíbrio das contas estão a falta de planejamento financeiro (48,8%), o aumento das despesas essenciais (32,8%) e compras por impulso (21,4%). A pesquisa revela ainda que 75,8% dos consumidores afirmam realizar orçamento mensal e acompanhamento eficaz de receitas e despesas.