Os Estados Unidos decidiram taxar produtos brasileiros em 25%, em medida anunciada na noite de ontem (15) pelo presidente Donald Trump, que acatou a recomendação do USTR, escritório do representante de comércio americano. A decisão encerra a investigação da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, aberta em julho de 2025. As tarifas devem entrar em vigor no dia 22 de julho, embora uma autoridade americana tenha dito que os canais ainda estão abertos para negociação. Com a nova tarifa, o Brasil passa a ser o segundo país mais tarifado pelos EUA no mundo, atrás apenas da China. Antes desta rodada, o Brasil era o 13º do ranking. O Mdic calculou que as novas tarifas podem afetar 21% das exportações brasileiras para os americanos.
Há uma lista de exceções com cerca de 2.100 itens, ampliada após audiências na semana passada, que inclui carne, café, laranja e suco de laranja, partes para aviões, ferro-gusa, mel orgânico, medicamentos e insumos farmacêuticos, entre outros. Foram rejeitadas, porém, isenções de máquinas agrícolas, vestuário, calçados, açúcar orgânico e diversos manufaturados. A justificativa americana para a taxação inclui o favorecimento do Pix em detrimento de empresas americanas de cartões, restrições ao etanol importado dos EUA, ordens judiciais sigilosas contra empresas de tecnologia americanas e deficiências na proteção à propriedade intelectual.
O governo brasileiro deve aguardar a aplicação das tarifas para decidir se aciona a Lei de Reciprocidade. O senador Flávio Bolsonaro esteve em Washington durante as audiências e pediu que os EUA não punissem o Brasil, alegando que as tarifas favoreceriam Lula. O governo petista emitiu nota de repúdio ao que classificou como interferência de Flávio nas negociações. Existe ainda a possibilidade de as tarifas se somarem a uma segunda investigação, sobre trabalho forçado, que propõe tarifa adicional de 12,5%, o que elevaria a taxação total sobre o Brasil a 37,5%.
