O governo Lula publicou hoje (16) nota oficial de repúdio à tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, classificou a medida como um "marco lastimável" nas relações bilaterais e anunciou o acionamento imediato da Lei de Reciprocidade. O Palácio do Planalto também afirmou que levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio. "O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável", diz a nota oficial. O governo afirmou não reconhecer a legitimidade de investigações sem respaldo nas regras multilaterais do comércio e apresentou como argumento o superávit comercial norte-americano de US$ 424,5 bilhões nas trocas com o Brasil nos últimos 15 anos.

Na nota, o governo responsabilizou a família Bolsonaro pela medida adotada pelos EUA, afirmando que membros da família atuaram em favor de interesses eleitorais e contra os interesses do país. O governo também anunciou o "Plano Brasil Soberano", com ações de blindagem e suporte aos setores exportadores afetados para preservar empregos e capacidade fabril. Como estratégia de longo prazo, a nota reforça a diversificação de parcerias, citando os acordos do Mercosul com a União Europeia, com a Associação Europeia de Livre Comércio e com Singapura.

A tarifa de 25% foi oficializada pelo USTR na noite de ontem (15) e entra em vigor em 22 de julho, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Os EUA alegam práticas brasileiras consideradas "irracionais ou discriminatórias", incluindo o favorecimento do Pix em detrimento de empresas americanas de cartão, restrições ao etanol e deficiências na proteção à propriedade intelectual. Com a nova tarifa, o Brasil passa a ocupar a segunda posição entre os países mais tarifados pelos EUA, atrás apenas da China.