Uma projeção da Confederação Nacional da Indústria aponta que, caso os Estados Unidos adotem as novas propostas de taxação contra o Brasil, de 25% e 12,5%, cerca de 4.187 produtos exportados serão afetados, o equivalente a US$ 14,9 bilhões em exportações. Todos esses produtos estão hoje submetidos à tarifa adicional temporária de 10% prevista na Seção 122 da legislação comercial norte-americana, vigente até 24 de julho. Se as duas novas propostas forem adotadas, haverá acréscimo de 27,5 pontos percentuais, levando a taxação contra o Brasil a 37,5%. Desses produtos, 62% são bens intermediários utilizados como insumos em processos produtivos. "O aumento das tarifas compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países. Estamos falando de cadeias produtivas altamente integradas, nas quais muitos produtos brasileiros são essenciais para a indústria norte-americana", disse o presidente da CNI, Ricardo Alban.
O embaixador Roberto Azevêdo representou a CNI na audiência pública realizada ontem (7) em Washington sobre a proposta de tarifa adicional de 25%. Dos 80 inscritos para falar, 66 se posicionaram contra a medida. "A imposição de uma tarifa adicional de 25% não se justifica sob os aspectos jurídico, econômico e estratégico. A CNI defende que o diálogo e a cooperação bilateral são o caminho mais adequado", reforçou Alban.
A investigação foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da legislação comercial americana. O USTR concluiu que práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao etanol e combate ao desmatamento seriam restritivas ao comércio dos EUA. A expectativa é que haja uma decisão final até 15 de julho.
