O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Ricardo Cavalcante, criticou na última sexta-feira (27) o fim do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center no Brasil (Redata), após a Medida Provisória caducar por falta de votação no Senado Federal. Em nota pública, o dirigente, que também é vice-presidente executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), classificou a situação como parte de um "inexplicável" trabalho contra as vantagens competitivas do Brasil, afirmando que a paralisia legislativa representa um golpe direto no coração da estratégia de desenvolvimento regional.

O Redata foi aprovado na Câmara dos Deputados, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não incluiu o texto na pauta, fazendo com que ele caducasse antes de ser votado. Com isso, ficaram travados R$ 5,2 bilhões reservados no orçamento federal de 2026 para incentivar o setor de tecnologia. O Ministério da Fazenda estimava que o Brasil poderia atrair o equivalente a R$ 2 trilhões em projetos de data centers na próxima década. O Redata previa ainda estímulos específicos para desconcentrar investimentos no Nordeste, Norte e Centro-Oeste, tornando as contrapartidas mais acessíveis para projetos nessas regiões.

Ricardo Cavalcante destacou que o Ceará, com sua conectividade submarina privilegiada e abundância de energia limpa, estava especialmente bem posicionado para atrair esses investimentos. O presidente da Fiec também criticou o que chamou de "boicote às renováveis", alertando que medidas regulatórias estariam impedindo R$ 12,5 bilhões em novos investimentos de chegarem ao Nordeste, o que abortaria a criação de 37,5 mil empregos. Ele denunciou ainda a obrigação de pagar por usinas térmicas fósseis que custam até cinco vezes mais do que a energia renovável com armazenamento em baterias.