O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou na última sexta-feira (1º) que os empates técnicos registrados nas pesquisas eleitorais entre candidatos de espectros políticos opostos só se explicam por uma "lavagem cerebral coletiva". A declaração foi feita em evento da Força Sindical, sem que Haddad citasse diretamente os nomes de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), mas o contexto é claro: presidente e senador aparecem empatados tecnicamente nos principais levantamentos recentes. "Estamos em um ano que é inadmissível o que está se vendo nas pesquisas eleitorais. O contraste é tão grande que só uma lavagem cerebral coletiva explica uma comparação impossível entre dois personagens da história do Brasil", declarou o ex-ministro da Fazenda.
Haddad também chamou o cenário eleitoral de "desafio cívico" no combate a discursos antidemocráticos e questionou o compromisso da oposição com a democracia. A fala ocorre em um momento em que múltiplas pesquisas apontam empate técnico no segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Levantamento NexusBTG, divulgado em 27 de abril, mostrou Lula empatado com Flávio, Zema e Caiado em cenários de segundo turno. Pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada na semana passada, apontou quadro semelhante, com Lula empatado com Flávio, Zema e até com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A declaração de Haddad repercutiu no campo político e foi interpretada pela oposição como sinal de nervosismo do PT diante da competitividade crescente da direita. No campo governista, aliados de Lula reconhecem que o cenário eleitoral está mais apertado do que o esperado para um presidente em exercício, especialmente após as derrotas recentes no Congresso, como a rejeição de Messias ao STF e a derrubada do veto à dosimetria.
Haddad diz que "lavagem cerebral coletiva" explica empates entre Lula e Flávio nas pesquisas
