A idosa que passou 55 dos seus 62 anos de vida servindo a três gerações de uma mesma família em trabalho análogo à escravidão, em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, deixou a residência dos antigos empregadores. A Auditoria-Fiscal do Trabalho divulgou hoje (18) que a vítima já não está mais na casa, mas não revelou o local onde está acolhida, por medidas de segurança e privacidade. Ela recebe acompanhamento psicossocial e suporte para reconstruir sua autonomia. "Todas as medidas adotadas durante a ação fiscal priorizaram sua proteção integral e o respeito às suas escolhas", informou a AFT, do Ministério Público do Trabalho. O Centro de Referência em Direitos Humanos afirmou que a equipe segue realizando atendimentos multidisciplinares frequentes, com acompanhamento contínuo e articulação com órgãos competentes para acesso à rede de proteção.
Segundo a investigação, iniciada após denúncia anônima, a idosa trabalhou para três gerações da mesma família sem interrupção das atividades e sem receber salário. Em 1982, foi morar na residência da filha da antiga patroa, permanecendo responsável pelas atividades domésticas e pela criação dos três filhos do casal. Em 2014, foi transferida para outra residência do mesmo grupo familiar, passando a cuidar da geração seguinte. Após o início da ação fiscal, os empregadores reconheceram vínculo de emprego apenas a partir de 21 de julho de 2014. A família nega as acusações e, em nota, afirma que as situações relatadas não retratam a relação de convivência, cuidado e afeto construída ao longo de décadas.
Os patrões mais recentes eram um casal, ele veterinário e ela servidora pública municipal em Fortaleza. A mulher será exonerada da Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos, cargo que ocupava desde 2017. Ela e mais cinco parentes assinaram Termo de Ajustamento de Conduta junto ao MPT após as investigações.
