Moradores e voluntários que atuam na proteção animal em Jericoacoara registram com frequência crescente casos de maus-tratos, desaparecimentos e mortes de jumentos na vila e no Parque Nacional de Jericoacoara. O grupo Jegues Jeri, formado por cerca de 20 voluntários, reúne documentação de animais feridos, mutilados e mortos encontrados em diferentes pontos da região nos últimos meses. Os relatos incluem animais queimados, esfaqueados e sem patas. Pela recorrência dos ataques e por mortes com sinais de enforcamento, suspeita-se que há pessoas envolvidas nos maus-tratos e estimulando cães ao ataque. Os casos foram denunciados à Polícia, ao Ministério Público, à Prefeitura de Jijoca de Jericoacoara e ao ICMBio, órgão responsável pelo parque. Jegue é o nome popular usado no Nordeste para o jumento, e o grupo adotou o termo regional em sua identidade.

Parte dos episódios ocorre durante a noite, dificultando a identificação das causas. Alguns ataques parecem relacionados a cães soltos que já mataram filhotes, mas muitos casos seguem sem explicação. A Prefeitura de Jijoca iniciou recentemente uma parceria com o grupo, disponibilizando espaço na usina de reciclagem para acolhimento dos animais resgatados e contribuindo com alimentação e medicamentos. "A prefeitura está ajudando na medicação e na alimentação. Mas a questão da fiscalização dos cachorros e do que está acontecendo com os animais ainda não foi resolvida", afirmou uma integrante do grupo.

Na Assembleia Legislativa do Ceará, tramitam desde 2024 dois projetos de lei do deputado Renato Roseno: um que reconhece os jumentos como de relevante interesse ambiental e cultural, e outro que proíbe o abate da espécie em todo o estado. Os voluntários seguem documentando os casos e reivindicam investigação formal. Doações para os cuidados veterinários podem ser feitas pelo perfil @jegues_jeri no Instagram.