A praia de Jericoacoara está perdendo areia em ritmo acelerado. Medições da Secretaria Estadual de Meio Ambiente registraram recuo médio superior a 10 metros de faixa de areia por ano entre 2016 e 2024 nas áreas de maior fluxo turístico, com perdas totais de até 48 metros em alguns trechos. O fenômeno é consequência da ocupação das áreas litorâneas, do transporte de sedimentos e de eventos climáticos extremos, como ressacas e elevação do nível do mar. Para a Sema, Jericoacoara é classificada como núcleo de atenção com vulnerabilidade alta em relação à erosão costeira. Diferentemente de Fortaleza e Caucaia, a localidade não possui estruturas de contenção como espigões. Alguns comerciantes instalaram barreiras improvisadas, mas especialistas alertam que essas soluções são de baixa eficiência. O prefeito Leandro Cezar classifica o problema como urgente, já que a erosão já afeta a rotina de moradores e empreendimentos.
Para entender e combater o fenômeno, a UFC, por meio do Instituto de Ciências do Mar, inicia a partir de agosto um diagnóstico científico sobre os processos erosivos no entorno da Vila de Jericoacoara. A iniciativa, aprovada formalmente pela UFC em 12 de junho e financiada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, reunirá 12 pesquisadores de três laboratórios. Com equipamentos oceanográficos e de geotecnologia de alta precisão, a equipe mapeará áreas vulneráveis, avaliará impactos socioambientais e subsidiará estratégias sustentáveis de gestão costeira. O estudo deve durar 12 meses.
Os resultados esperados incluem mapas de evolução da linha de costa, modelos de simulação de correntes e ondas e a Carta de Navegação Comunitária. A erosão ameaça diretamente a economia local: a redução da faixa de praia compromete a pesca artesanal, a hospedagem e o comércio. "O estudo deve descobrir quais medidas deverão ser feitas para diminuir estes impactos sem prejudicar o meio ambiente", afirmou o prefeito Leandro Cezar.
