A Corte de Apelação da Itália decidiu que Carla Zambelli pode responder em liberdade no país e criticou o julgamento que a condenou no Brasil por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça. A CNN Brasil teve acesso ao documento integral, que aponta "violação do direito a um julgamento justo" e afirma que a falta de imparcialidade e independência no processo constituiu impedimento para a extradição ao Brasil. O ponto central da decisão é a chamada "dupla função" exercida pelo ministro Alexandre de Moraes: ele foi ao mesmo tempo vítima de um dos crimes imputados a Zambelli, relator do processo e responsável por expedir o mandado de prisão, solicitar a extradição e fornecer informações sobre as condições da penitenciária brasileira. "É indiscutível que Moraes é considerado prejudicado pelos crimes atribuídos à apelante, dado o dano causado pela introdução no sistema do CNJ do documento relativo ao mandado de prisão falso expedido contra ele", afirma o texto.

A decisão italiana cita jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que identifica falta de imparcialidade quando a mesma pessoa exerce diferentes funções no âmbito do mesmo processo judicial. O gabinete de Moraes não respondeu à CNN Brasil até a publicação. A decisão final sobre a extradição de Zambelli cabe ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, e a ex-deputada aguarda a decisão em Roma.

Além da invasão ao CNJ, Zambelli também foi condenada no Brasil por perseguir com arma um jornalista no segundo turno das eleições de 2022. Essa segunda condenação ainda não foi submetida à Justiça italiana para pedido de extradição, o que pode ocorrer ainda neste ano.