O deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE), segundo vice-presidente da comissão especial que analisa a PEC do fim da escala 6x1 na Câmara, defende que o texto final da proposta seja mais flexível, com foco na redução da jornada semanal de trabalho, sem necessariamente acabar com o modelo de escala 6x1. Para Gastão, que também preside a Federação do Comércio do Ceará, é preciso considerar que trabalhadores de diferentes setores têm demandas distintas em relação à organização da jornada. O parlamentar cearense apoia uma proposta do deputado Maurício Marcon (Podemos-RS) que daria ao trabalhador a opção de escolher entre uma carga horária flexível ou o modelo de escala, respeitando o limite de horas semanais. A posição diverge do governo Lula e da bancada petista, que defendem explicitamente o fim da escala 6x1 com dois dias consecutivos de descanso, além da redução de 44 para 40 horas semanais.
A comissão especial, presidida pelo deputado Alencar Santana (PT-SP) e com relatoria do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), tem se reunido regularmente às terças e quartas-feiras. Prates já sinalizou que pretende separar o texto principal da PEC, focado no novo teto de 40 horas, dos detalhes de implementação, que seriam tratados em projetos de lei complementares. Gastão é favorável a essa divisão, pois considera que ela permite avançar na redução da jornada sem impor um modelo único a todos os setores da economia. O governo, porém, reiterou por meio da ministra Gleisi Hoffmann e do ministro Guilherme Boulos que sua posição é "o fim da escala 6x1", alertando que só reduzir horas sem garantir dois dias de folga não atende ao objetivo de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.
A expectativa do presidente da Câmara, Hugo Motta, é que a PEC avance rapidamente e possa ser levada ao plenário em maio. Com a PEC da CCJ aprovada e o governo pressionando, o deputado Gastão e demais parlamentares do centrão terão papel decisivo na formatação final do texto que moldará a jornada de trabalho de 37 milhões de brasileiros.
Luiz Gastão defende texto flexível na PEC da jornada com foco na redução das horas, não no fim da escala 6x1
