O presidente Lula assinou hoje, em São Paulo, a Medida Provisória que cria o Move Aplicativos, nova modalidade do programa Move Brasil com R$ 30 bilhões em crédito para taxistas e motoristas de aplicativo financiarem a compra de carros zero-quilômetro. Os veículos devem custar até R$ 150 mil e ser de modelos menos poluentes, como flex, híbrido flex, elétrico ou exclusivamente a etanol, de montadoras habilitadas no programa Mover. Para participar, o motorista de aplicativo precisa ter cadastro ativo há pelo menos 12 meses na mesma plataforma e ter realizado ao menos 100 corridas nesse período. Taxistas registrados e em atividade também são elegíveis. Os bancos começam a liberar os recursos a partir de 19 de junho, com os juros e prazos a serem regulamentados pelo Conselho Monetário Nacional ainda nesta semana.

O programa supera em volume a edição mais recente do Move Brasil para caminhões e ônibus, de R$ 21,2 bilhões. A iniciativa chega após o governo não conseguir avançar no Congresso com a regulamentação trabalhista dos motoristas de aplicativo, uma pauta que perdeu força por falta de acordo entre plataformas, motoristas e parlamentares. Com o Move Aplicativos, o Planalto desloca o debate da regulamentação para o financiamento direto do veículo, principal ferramenta de renda da categoria. Lula também anunciou medidas para mototaxistas e entregadores de moto, com fim da obrigatoriedade da placa vermelha para motofrete, da inscrição paga no Detran e da exigência de idade mínima de 21 anos para o exercício da atividade.

A Anfavea pediu prioridade para veículos produzidos no Brasil, conectando o programa à estratégia de aquecer as vendas de carros e preservar a produção nacional. O programa tem apelo eleitoral evidente: motoristas de aplicativo e taxistas são uma categoria numerosa, historicamente associada a pautas de centro-direita, e a nova linha de crédito representa um aceno direto do governo Lula a esse eleitorado a cinco meses das eleições de outubro.