Após a rejeição histórica pelo Senado na última quarta-feira (29), o advogado-geral da União Jorge Messias recebeu ligações e mensagens de solidariedade de ao menos oito dos dez ministros do STF. As manifestações partiram por iniciativa dos próprios ministros, que procuraram Messias para expressar perplexidade e apoio. Entre eles estão Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, Edson Fachin, Cármen Lúcia e Dias Toffoli. Parte dessas ligações foi recebida na residência de André Mendonça, para onde Messias foi após se reunir com o presidente Lula no Palácio da Alvorada. Mendonça saiu em defesa pública do aliado nas redes sociais, afirmando que o país "perdeu a oportunidade de ter um grande ministro do Supremo".
O único ministro que Messias tem evitado é Alexandre de Moraes. Reservadamente, o chefe da AGU considera inadmissível a articulação atribuída ao ministro contra sua aprovação no Senado. Moraes tentou contato por mensagem e por ligação telefônica, negando ter participado de qualquer articulação contra Messias, mas não obteve resposta. A aliados, Messias disse não guardar mágoas, mas afirmou que a conversa com Moraes precisará ser pessoalmente e a sós. Flávio Dino, que também não telefonou após a rejeição, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, são os outros dois nomes que Messias aponta como articuladores de sua derrota. A movimentação de Moraes durante a sabatina, com envio de recados a senadores por meio de emissários, foi identificada pelo governo e relatada pela imprensa.
Messias também avalia deixar a AGU. Ao presidente Lula, alegou não ter condições de manter diálogo institucional com quem atuou contra sua indicação. A função exige interlocução frequente com ministros do STF e integrantes do Congresso, o que tornaria o ambiente de trabalho insustentável. A saída de Messias, se confirmada, abrirá mais um flanco de instabilidade para o governo em ano eleitoral.
Messias recebe solidariedade de 8 ministros do STF mas ignora Moraes e avalia deixar a AGU
