O Ministério Público Eleitoral, o MPCE e a Polícia Federal já monitoram possíveis candidatos com indícios de ligação com facções criminosas no Ceará, em trabalho de inteligência silencioso que deve se tornar público após as convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto. A estratégia, coordenada pelo Grupo de Trabalho de Combate ao Crime Organizado no Âmbito Eleitoral do MPF, prevê o uso de elementos de investigações criminais em curso para impugnar registros de candidatura por meio de Ação de Impugnação de Registro de Candidatura no TRE. O procurador Regional Eleitoral no Ceará, Celso Leal, destaca que o TSE já firmou precedentes permitindo barrar candidatos ligados a milícias ou organizações armadas sem necessidade de condenação criminal transitada em julgado. "A robustez dos elementos fáticos que denotem a participação do pretenso candidato em organizações armadas é suficiente para obstar a candidatura", afirmou.
O promotor Igor Pinheiro, coordenador do Caopel do MPCE, confirmou o monitoramento em curso. "Nós temos indicativos de que fulano está sendo apoiado pela facção W e estamos aguardando para ver se vai acontecer", explicou. A estratégia inclui o monitoramento de candidatos "testa de ferro", laranjas que podem representar interesses de facções na política. Em 2026, a PF prendeu cinco vereadores de Morada Nova por suposta relação com facção: eles teriam recebido apoio financeiro nas eleições de 2024 e, em troca, fizeram nomeações e ofereceram vantagens.
O TRE-CE criou pela Resolução nº 828/2021 duas zonas eleitorais especializadas em Fortaleza, a 3ª e a 93ª, para julgar crimes eleitorais conexos ao crime organizado. Diversas investigações correm em sigilo nessas zonas. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou em abril que o MP vai "atuar firme" para impedir a infiltração de organizações criminosas no processo eleitoral de outubro.
