A operação da Polícia Federal realizada durante o Carnaval contra servidores da Receita Federal suspeitos de vazar dados sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal e seus familiares provocou forte reação interna na Corte e ampliou o clima de tensão entre os magistrados.
A ação foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes e gerou incômodo significativo entre colegas que não fazem parte de seu círculo mais próximo. Segundo informações da coluna da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, dois ministros ouvidos sob reserva classificaram a iniciativa como "absurda" e apontaram indícios de possível abuso de autoridade na condução do caso.

Nos bastidores do Supremo, causou mal-estar o fato de Moraes não ter informado previamente os demais ministros sobre a suspeita de acesso indevido aos dados fiscais dos colegas. A ausência de comunicação foi interpretada como um gesto que ampliou a desconfiança interna. Alguns magistrados expressam receio de que informações coletadas sobre colegas e familiares possam ser utilizadas como instrumento de proteção em investigações.

A operação mirou quatro servidores da Receita Federal: Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes. O STF determinou medidas cautelares severas, incluindo busca e apreensão, recolhimento domiciliar noturno com tornozeleira eletrônica, afastamento das funções públicas e cancelamento de passaportes.

A investigação teve origem após a Receita alertar sobre acesso irregular aos dados fiscais da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, que possui um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. A auditoria identificou múltiplos acessos irregulares a sistemas que armazenam dados fiscais de ministros e familiares nos últimos três anos.

Ministros avaliam que a crise no STF se agravou durante o Carnaval e que o ambiente interno segue marcado por tensão e desconfiança. A operação foi vista por alguns como uma "fishing expedition" (pesca probatória), prática já criticada na Lava Jato e que volta a ser discutida nos bastidores do Supremo.