Um grupo criminoso suspeito de interferir nas eleições de 2024 e no atual processo eleitoral de Sobral é alvo da Operação Omertá, deflagrada hoje (11). São cumpridos 14 mandados de prisão preventiva, 25 de busca e apreensão e cinco medidas de afastamento cautelar de cargos públicos, com ordens judiciais expedidas pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza. Três parlamentares tiveram prisão preventiva decretada e foram afastados dos mandatos por prazo inicial de 180 dias; dois agentes públicos também foram afastados pelo mesmo período, mas os nomes não foram revelados. Entre os alvos também está um advogado suspeito de integrar a organização, exercendo funções de liderança e de execução de ordens voltadas à interferência no processo eleitoral.

A operação foi deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará, em conjunto com o Ministério Público Eleitoral e o Grupo Auxiliar Eleitoral. Também foram deferidas medidas cautelares como a proibição de contato entre investigados e testemunhas, além de determinação para que a Câmara Municipal de Sobral apresente a relação completa de ocupantes de cargos comissionados, funções de confiança e contratados temporários vinculados ao Legislativo Municipal.

Segundo o MPCE, a investigação aponta que a organização cobrava uma espécie de "pedágio" de cerca de R$ 60 mil de candidatos para permitir acesso a bairros de Sobral durante a campanha, além de tentar manipular a escolha política dos eleitores por meio de coação e ameaça. São investigados os crimes de organização criminosa, extorsão, corrupção eleitoral, embaraço à propaganda eleitoral e lavagem de capitais. A investigação tramita sob segredo de justiça, e a Ficco-CE reúne forças de segurança estaduais e federais, incluindo Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal do Ceará e a Secretaria Nacional de Políticas Penais.