A Polícia Federal deflagrou hoje a 9ª fase da Operação Compliance Zero com foco no senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, investigado por suspeita de receber vantagens indevidas em troca de atuação parlamentar em favor do grupo financeiro do Banco Master. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, e cumpriu 18 mandados de busca e apreensão, incluindo um endereço do senador no Corredor da Vitória, em Salvador. A PF investiga se Wagner recebeu R$ 3,5 milhões, transferidos por empresa vinculada ao enteado do senador, além de um apartamento de luxo avaliado em mais de R$ 2,4 milhões no Horto Florestal, em Salvador. A relação central da investigação é com o banqueiro Augusto Lima, dono do Banco Pleno e aliado estratégico de Daniel Vorcaro, dono do Master. A assessoria de Wagner não respondeu até o fechamento desta publicação.
Os R$ 3,5 milhões foram transferidos em outubro de 2025 da empresa PKL One Participações, ligada ao grupo Master, para a BN Financeira, microempresa do núcleo familiar de Wagner, gerida pelo enteado Eduardo Mendonça Sodré Martins e pela nora Bonnie Toaldo Bonilha. A PF investiga também o recebimento de aeronaves particulares e ingressos para shows, incluindo R$ 63 mil em ingressos para um show em Los Angeles pagos pela empresa Reag Investimentos. Em contrapartida, Wagner teria atuado pela aprovação da Emenda Master, que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos em benefício do modelo do banco, e por projetos de crédito consignado nos quais o grupo Master tem forte atuação pelo Credcesta.
A Operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025 após a prisão de Vorcaro, já apurou prejuízos estimados em R$ 12 bilhões e se expandiu para incluir lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e corrupção. Entre outros alvos das fases anteriores estão o senador Ciro Nogueira e o governador do Rio Cláudio Castro. Todos os investigados negam irregularidades.
