O TikTok e a Omnia, operadora de data centers da Patria Investimentos, contestaram um laudo técnico do Ministério Público Federal (MPF) que aponta falhas e omissões no projeto e no licenciamento de um data center em construção no Ceará. O empreendimento, anunciado em dezembro de 2025, prevê investimentos de R$ 200 bilhões e ficará nas imediações do Porto de Pecém, dentro da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do estado. As obras tiveram início em 6 de janeiro e o complexo deve começar a operar em 2027, tornando-se o maior data center de uma única empresa no Brasil.
O laudo, elaborado pela Secretaria de Perícia da Procuradoria-Geral da República (PGR) a pedido do MPF-CE, questiona três pontos principais. No consumo de água, o documento afirma que o projeto informa 30.000 litros por dia, mas que o manancial subterrâneo precisaria render 88.000 litros diários, sem comprovação de viabilidade hídrica. No consumo de energia, o MPF classificou a demanda de 200 MW como elevada e questionou a alegação de 100% de energia renovável, citando o uso de geradores a diesel. No licenciamento, a perícia critica a opção da Semace por um Relatório Ambiental Simplificado (RAS) em vez do EIA-RIMA, instrumento mais robusto que exige audiências públicas.
As empresas rebateram cada ponto. Sobre a água, afirmam que o impacto é equivalente ao de um empreendimento residencial, com o sistema de resfriamento funcionando em circuito fechado. Sobre a energia, explicam que os geradores a diesel são exclusivamente de contingência, com uso estimado inferior a 1% do tempo. Sobre o licenciamento, a Omnia destaca que o RAS tem mais de 500 páginas e passou por rigoroso processo técnico. A Semace informou que todas as licenças permanecem válidas e que não há decisão administrativa ou judicial determinando sua suspensão. O MPF-CE afirmou que ainda avalia as informações antes de decidir por eventual medida judicial.
TikTok e Omnia contestam laudo do MPF sobre data center de R$ 200 bilhões no Ceará
