A Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público contra Jorge Luiz Fernandes, ex-chefe de gabinete do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), e outros seis ex-assessores por envolvimento num esquema de rachadinha no gabinete do parlamentar. Os sete viraram réus pelos crimes de organização criminosa e peculato. O juiz Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, destacou que "a investigação apurou a existência de um esquema de rachadinha no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro" e que "a justa causa para o recebimento da denúncia restou amplamente comprovada". Segundo a denúncia, Jorge Luiz Fernandes comandou a organização entre 2005 e 2021, arrecadando cerca de R$ 1,9 milhão devolvido por funcionários nomeados no gabinete. Entre os réus está a mulher do ex-chefe de gabinete, Regina Célia, que repassou mais de R$ 800 mil para a conta do marido. Os acusados têm dez dias para apresentar defesa por escrito.
Carlos Bolsonaro não está na lista dos denunciados, mas segue sendo investigado. Em fevereiro, o MPRJ reabriu a investigação contra ele por envolvimento no mesmo esquema durante seu período na Câmara Municipal do Rio. A investigação havia sido arquivada em setembro de 2024, mas a Procuradoria-Geral de Justiça concluiu que a apuração anterior deixou de cumprir diligências essenciais, como a retirada de valores de um cofre bancário e a investigação da compra de um apartamento em Copacabana em 2009.
Na declaração da aquisição do imóvel, Carlos Bolsonaro informou que a operação custou R$ 70 mil, valor considerado muito abaixo do mercado à época, o que levantou suspeitas sobre a origem dos recursos.
