Entrou em vigor hoje a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O governo brasileiro criticou a medida, defendendo que o combate ao crime deve ocorrer por meio da cooperação internacional, com respeito à soberania dos Estados sobre seus territórios. O Palácio do Planalto teme ainda impactos econômicos sobre o turismo, investimentos, comércio exterior e sistema financeiro brasileiro. A classificação foi anunciada pelo governo Trump em 28 de maio e gerou reação imediata do presidente Lula, que acusou integrantes da família Bolsonaro de terem viajado aos EUA para defender a medida.
Especialistas apontam que a decisão pode ter consequências econômicas e geopolíticas para o Brasil, inclusive com intervenções diretas dos EUA no território nacional, usando o combate ao terrorismo como justificativa. O governo Trump já designou cartéis mexicanos e organizações criminosas de Venezuela, Equador e Colômbia como terroristas e formou, em março, a coalizão Escudo das Américas, reunindo governos alinhados a Washington para, em tese, combater o narcotráfico e afastar a influência de China e Rússia na região.
O combate ao narcotráfico foi também a justificativa usada para o sequestro do então presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, e para pressionar o México, o que vem sendo denunciado pela presidenta Claudia Sheinbaum como interferência estrangeira. Para o governo brasileiro, a classificação das facções como terroristas não resolve o problema da segurança pública e pode criar precedentes perigosos para a soberania nacional.
