Daniel Queiroz, filho do ex-prefeito foragido Bebeto de Choró, foi solto nesta quinta-feira (25) após audiência de custódia, com uso de tornozeleira eletrônica e restrições como toque de recolher das 22h às 6h, proibição de sair do país e entrega do passaporte. Ele havia sido preso na véspera em flagrante durante operação da PF e do MPE. A prisão ocorreu por suspeita de ocultar a propriedade de um carro registrado no nome do avô, mas mantido sob posse e uso de Daniel, inclusive na vaga de garagem de seu prédio. Os investigadores encontraram também uma declaração de residência afirmando que o avô morava no imóvel, mas o síndico do condomínio negou que o homem constasse na lista de moradores.

O caso Bebeto de Choró é mais amplo do que a prisão do filho sugere. Um relatório da PF de janeiro de 2026 revelou um suposto esquema de negociação de emendas parlamentares, fraudes a licitações e financiamentos ilegais de campanhas em municípios do Ceará. O grupo criminoso seria liderado por Bebeto e pelo deputado federal Júnior Mano (PSB). A PF aponta que Bebeto intermediava a destinação de emendas de Júnior Mano para prefeituras aliadas, cobrando uma taxa de 12 a 15% dos recursos. Nove empresas suspeitas receberam cerca de R$ 455,5 milhões de prefeituras cearenses entre 2023 e 2025, segundo a CGU. A assessoria de Júnior Mano afirmou que a investigação "nada encontrou de relevante contra o deputado".

Bebeto está foragido desde dezembro de 2024 e seu mandado de prisão segue em aberto para todo o país. O diploma de prefeito eleito foi cassado pelo TRE-CE em agosto de 2025. Uma nova eleição foi realizada no município em 1° de março de 2026.