O senador Jaques Wagner (PT-BA) admitiu nesta sexta-feira (26) ter nutrido uma relação com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, mas negou qualquer envolvimento com a empresa da nora que teria recebido R$ 3,5 milhões. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o senador afirmou que conheceu Lima durante o processo de privatização do Cesta do Povo e que a PF precisa comprovar uma relação de troca. "A Polícia Federal está construindo uma tese de que essa empresa da minha nora na verdade foi construída para me servir. Não tenho nada a ver com a empresa", disse. Wagner também revelou que esteve com Daniel Vorcaro duas vezes: uma quando o banqueiro foi se apresentar e outra quando o senador levou o ex-ministro Ricardo Lewandowski para conhecê-lo a pedido de Lima. O senador acrescentou que os contratos da empresa da nora com o grupo financeiro ficaram acima dos R$ 3,5 milhões divulgados.
Wagner também reclamou da forma como a operação da PF foi conduzida em reunião com o presidente Lula. Ele chamou de "patacoada" as fotos divulgadas pela corporação com dinheiro sobre a cama e relógios apreendidos. "Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato", disse. O senador afirmou que pegar carona em jatinhos não configura crime. "Fica-se criminalizando qualquer tipo de relacionamento. O que a Polícia Federal tem que comprovar, e não vai, é a relação de troca", afirmou.
Sobre o afastamento da liderança do governo no Senado, Wagner revelou que Lula questionou no encontro de quarta (24) se ele teria "cabeça" para fazer sua própria defesa e a articulação política ao mesmo tempo, o que foi decisivo para a saída. A liderança foi assumida pela senadora Teresa Leitão (PT-PE).
