O Governo Federal reagiu hoje à decisão dos Estados Unidos de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em nota oficial assinada pelo presidente Lula, o Palácio do Planalto defendeu a soberania brasileira, criticou a atuação de integrantes da família Bolsonaro junto ao governo norte-americano e alertou para possíveis impactos da medida no combate ao crime organizado. "O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o PCC, o CV e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias", afirmou Lula. O trecho de maior repercussão faz referência direta à recente visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca: "É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país."

A decisão norte-americana foi anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio. Inicialmente, PCC e CV foram enquadrados na categoria de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs), classificação já em vigor. A partir de 5 de junho de 2026, os grupos também receberão a designação formal de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), o que amplia os mecanismos de combate, incluindo bloqueio de ativos financeiros, restrições migratórias e proibição de transações econômicas com integrantes ou associados. Qualquer apoio material às facções passa a ser considerado ilegal sob a legislação norte-americana, incluindo repasses financeiros, treinamento e fornecimento de equipamentos.

O governo brasileiro vinha atuando diplomaticamente para evitar a classificação, argumentando que a decisão poderia abrir precedentes para interferências externas em temas de soberania nacional. Em abril, o Brasil apresentou ao Departamento de Estado dos EUA uma proposta de fortalecimento da inteligência e cooperação internacional no combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas. "Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia", destacou a nota de Lula.