O ministro Alexandre de Moraes, do STF, prorrogou por mais 90 dias a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. A decisão foi proferida nesta sexta-feira (3), após o prazo original ter expirado na última quinta (25). "No presente momento, a manutenção de prisão domiciliar humanitária mostra-se razoável, adequada e proporcional, sobretudo porque, afastados os fatores impeditivos anteriores e presentes as excepcionalidades humanitárias, é possível sua concessão mesmo para os condenados em regime fechado", afirmou Moraes. O ministro determinou ainda que Bolsonaro entregue todas as armas registradas em seu nome em até 48 horas e revogou o Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador do ex-presidente.
A decisão considerou o episódio da pistola Glock 9mm apreendida em blitz no dia 15 de junho com um militar do GSI que alegou estar levando a arma para conserto. A Polícia Civil do DF concluiu que o militar Estácio Leite deve responder por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, mas não indiciou Bolsonaro. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou parecer favorável à continuidade da domiciliar, afirmando que "não há imputar ao sentenciado falta disciplinar que impacte negativamente sobre o atual regime em que cumpre pena".
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar temporária desde 27 de março, concedida para recuperação de um quadro de broncopneumonia. Foi condenado no ano passado a 27 anos e três meses de prisão no processo da trama golpista. Com a prorrogação, o novo prazo se estende até o início de outubro. O ex-presidente segue usando tornozeleira eletrônica e sob monitoramento, com proibição de manifestações, uso de celulares, redes sociais e gravação de áudios ou vídeos.
