O prazo de 90 dias da prisão domiciliar temporária concedida ao ex-presidente Jair Bolsonaro encerra nesta quinta-feira (25), cabendo ao ministro Alexandre de Moraes decidir se o benefício será prorrogado. Condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro passou a cumprir pena no Complexo Penitenciário da Papuda no ano passado e foi transferido para prisão domiciliar em março de 2026, após desenvolver um quadro de broncopneumonia que exigiu internação em hospital particular em Brasília. Os advogados solicitaram autorização para novos exames, entre eles tomografia do tórax e abdômen, endoscopia digestiva e pHmetria esofágica, considerados essenciais para acompanhar o quadro. O relatório médico aponta estabilidade cardiológica, mas o ex-presidente ainda apresenta cansaço, fadiga e piora nas crises de soluço.

Além do quadro clínico, Moraes deverá considerar o comportamento de Bolsonaro durante a domiciliar. Na última segunda-feira (15), uma pistola Glock 9mm pertencente ao ex-presidente foi apreendida em blitz da PM em Brasília, em posse de um militar da segurança que alegava levar a arma para conserto. Moraes determinou esclarecimentos da defesa. A defesa argumentou que a equipe de segurança retirou o percussor da arma sem o conhecimento de Bolsonaro, em razão de medicações psiquiátricas que afetariam sua cognição.

Durante a prisão domiciliar, Bolsonaro usa tornozeleira eletrônica, está sujeito a monitoramento externo da residência, vistoria de todos os veículos, proibição de manifestações em raio de 1 km e proibição de celulares, redes sociais e gravação de áudios ou vídeos. Visitas políticas foram suspensas; advogados, médicos e familiares estão autorizados.